Estou em meu terceiro ano como acadêmico da UEM e em breve completarei seis meses como estagiário de um dos vários departamentos. Como acadêmico, vi, até agora, três inícios de ano letivo e quatro vestibulares.
Todo início de ano, como ‘tradição’ há o trote. Nunca me enturmei muito com os ‘beberrões’ e com os competidores de ‘quem tem o carro do papai equipado com o melhor equipamento de som tocando a pior música possível’. Este ano não foi diferente. Centenas de estudantes, tidos como a jovem elite intelectual, mostrando toda a bestialidade que um ser humano dito civilizado pode exibir. Não poderia ser assim! Logo serão profissionais, e até o fim do curso, e digo isso porque a maior parte da brutalidade é cometida por ‘veteranos’, todos se comportam como se tivessem que expressar, no limite de tempo dos anos de graduação, toda a irresponsabilidade que não podem ter no futuro.
Em uma quinta feira qualquer do período letivo, dêem uma volta na zona 7 durante a noite. Após as 18h e até umas 3h, não é difícil encontrar ‘estudantes’ nos bares e nos arredores da universidade. Noites mal dormidas e repulsa a tudo o que vi nesse tempo de permanência por aqui me motivam a escrever tudo isto.
Durante os vestibulares, nada muda. Acho que é a sacanagem que a elite comercial da cidade faz, em abrir dois vestibulares por ano para conseguir arrecadar mais, que motiva toda a sacanagem feita pelos que por aqui passam. Lei seca? Pode ter funcionado em um primeiro momento, mesmo com os vários confrontos e tiros de borracha disparados, mas já viram o que as drogas fazem por aqui também?
Muitos do que vêm nem sequer participam do vestibular, enganam seus pais e ainda pegam o dinheiro pra gastar com as festas, que agora, devido às restrições municipais, são particulares em repúblicas ou chácaras. Sei o que digo sobre os que vêem badernar, eu vi muitos colegas de colégio fazendo isso durante o vestibular do qual participei e continuo vendo quando levo quase meia hora atravessando algumas ruas para chegar ao supermercado, ao banco ou à universidade.
Não teria sido mais inteligente a prefeitura organizar uma recepção, um evento que fosse, aos quase 25 mil que invadem a cidade neste período, para manter um pouco da tranqüilidade da cidade e ainda de quebra arrecadar algum dinheiro para poder destinar às deficiências municipais? Festividades no parque de exposição, no estádio da cidade, ou qualquer outra atividade cultural que servisse de passa tempo aos visitantes.
Como estagiário na UEM, participo frequentemente do ambiente administrativo. Sabem de toda aquela história da burocracia impessoal e sua eficiência? Esqueçam, é tudo mentira. Para um simples atendimento no diretório de assuntos acadêmicos, que trata da documentação, horário e quase qualquer outra responsabilidade que um estudante tem em relação às atividades institucionais, tem-se que esperar, no mínimo, uma hora. Isso quando o sistema não está fora do ar!
Ganho meros R$ 2,13 por hora pra fazer o que um funcionário concursado faz. A justificativa para contratar gente como eu é que isto ajuda os estudantes que não tem condições de pagar suas necessidades. Se os aluguéis daqui não fossem os mais caros que já vi na vida, talvez eu não precisasse me submeter a isso. O benefício é que é um emprego de meio período. Trabalho durante vinte horas semanais, aí então consigo estudar... tenho que ler em média 400 páginas por semana, e agradeço por isso, fora as outras leituras que me interessam. Para completar a dificuldade de se alugar um local para ficar aqui, tenho que dizer que as imobiliárias não ajudam muito. Não tenho familiares com mais de dois imóveis próprios no nome e só por isso, para deixar os donos dos imóveis daqui um pouco mais confortáveis, tenho que pagar 15% a mais do valor do aluguel como ‘seguro fiança’.
Voltando à questão burocrática, hoje mesmo fui à divisão patrimonial pegar uma encomenda do departamento onde trabalho. Lá, encontro uma pequena fila... só uma pessoa em minha frente. Ele estava a protocolar os preços de seus produtos num pregão qualquer. Após esperar algum tempo, era pra ter sido atendido, mas eis que surgem mais três pessoas para protocolar suas ofertas no pregão e para minha surpresa, a funcionária me faz esperar mais alguns instantes antes de poder pegar alguns simples carimbos encomendados.
Sim, ela me fez esperar para primeiramente atender os interesses comerciais particulares dos outros. Há uma peculiaridade, no entanto que devo dizer, eles só estavam lá tão apressados pois em sete minutos, o período hábil de registro de oferta chegaria ao fim. Se mesmo no ambiente público, os interesses públicos não são respeitados e tratados com impessoalidade, sem caprichos, o que esperar dos outros setores da sociedade? Pode parecer pequeno, mas vejo coisas assim quase todos os dias.
Em uma semana, a contar da última sexta de fevereiro, até hoje, a primeira quinta de março, a rede elétrica caiu quatro vezes. Não são simples quedas, são interrupções de quase 6 horas comerciais. Já não bastasse a quantidade de serviço acumulado no início do ano, ainda há essas dificuldades. A Copel tem ressaltado a necessidade de troca de alguns equipamentos da universidade desde 2007. Por ano, são ao menos 12 interrupções dessas, quase sempre seguidas em períodos de poucos dias.
Ah! O motivo destas quedas em tão pouco tempo? A inauguração de um ‘laboratório de pesquisa’ na biblioteca. Algumas dezenas de computadores que mal serão usados pelos que realmente precisam. Não nego que são úteis, mas muitos estudantes têm seus próprios notebooks e parte desses novos computadores nem seriam necessários se o dinheiro tivesse sido investido na ampliação de outros setores da universidade, tal como subsídio às pesquisas científicas. Aí sim esses computadores seriam necessários.
A falta de professores também é outro problema administrativo aqui. Apesar de concursos terem sido feitos recentemente, a maioria dos professores contratados têm rabo preso nas universidades particulares. Lá, como aqui, têm que cumprir uma carga horária, e dando preferência às particulares, não se encaixam nas necessidades daqui. Mais uma vez os interesses particulares vencem os públicos.
Estes são apenas alguns tropeços que vejo aqui e ali. Se quiserem saber mais, dêem uma volta pelas diferentes áreas da cidade. Há muitas outras calamidades... por exemplo, sempre há policiais na esquina da avenida Tiradentes. O motivo? Lá estão duas das maiores escolas particulares da cidade. E quanto às outras públicas da cidade?
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