
Daqui a 11 dias vai fazer um ano (12 meses, 365 dias) que a Estação Rodoviária Américo Dias Ferraz foi interditada pela prefeitura, utilizando como pretexto um laudo do engenheiro Miguel Fujinami, segundo o qual sua fundação e estrutura estavam extremamente comprometidas e o prédio oferecia "risco iminente de colapso total" - ou seja, ia cair. Hoje, um ano depois, está claro que algo estava errado. Descobriu-se uma obsessão do Executivo em jogar ao chão o prédio que, construído nos anos 60, poderia, segundo outro laudo que encontra-se no processo que está na justiça, ser recuperado e revitalizado. O poder público, ignorando que o prédio tem proprietários além dele e que há uma contestação na justiça que deve ser resolvida, tomou o controle do condomínio e recentemente, depois de uma boa conversa com os vereadores, mudou a legislação urbana para demolí-lo, entregando a exploração de um futuro empreeendimento a empreiteiros.
Além de se constituir num ação de força do Estado na iniciativa privada, o episódio serve para que possamos refletir sobre a preservação de nossa história. Maringá é uma cidade nova e que corre o risco de ter a bela história de sua construção pelos pioneiros riscada da memoria por conta da especulação imobiliária. O poder público, que deveria trabalhar pela preservação dessa história, aqui, infelizmente, vira um co-partícipe imobiliário.
O aniversário de um ano da interdição é uma boa oportunidade para reflexão. O prédio não caiu, como previam as aves de agouro; esta lá firme, como um pedaço da história que resiste à sanha do homem.
PS - Para quem diz que o prédio, iniciado quando a cidade tinha 12 anos, não é histórico: o hoje principal algoz da velha rodoviária, Jurandir Guatassara Boeira, afirma em release da prefeitura, de novembro de 2006, que a idéia era manter o prédio, "para preservar um patrimônio histórico do município", e que tudo seria debatido com os proprietários. Dois meses depois dessa declaração, ele virou um radical pela demolição e não quis mais dialogar com ninguém. O que fez ele mudar de idéia?
(Foto PMM)
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